CPC 02 - MINUTA M1

CPC 25 - Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes


 

 

 

 

CPC_25


 

 

 

Objetivo

 

O objetivo deste Pronunciamento Técnico é estabelecer que sejam aplicados critérios de reconhecimento e bases de mensuração apropriados a provisões e a passivos e ativos contingentes e que seja divulgada informação suficiente nas notas explicativas para permitir que os usuários entendam a sua natureza, oportunidade e valor.

 

Alcance

 

1.      Este pronunciamento deve ser aplicado por todas as entidades na contabilização de provisões, e de passivos e ativos contingentes, exceto:

 

(a)  os que resultem de contratos a executar, a menos que o contrato seja oneroso; e

 

(b)  os cobertos por outro pronunciamento.

 

2.      Este Pronunciamento Técnico não se aplica a instrumentos financeiros (incluindo garantias) que se encontrem dentro do alcance do Pronunciamento Técnico CPC 38 - Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração.

 

2.      Este pronunciamento não se aplica a instrumentos financeiros (incluindo garantias) que se encontrem dentro do alcance do CPC 48 Instrumentos Financeiros. (Alterado pela Revisão CPC

12)

 

3.      Contratos a executar são contratos pelos quais nenhuma parte cumpriu qualquer das suas obrigações ou ambas as partes tenham parcialmente cumprido as suas obrigações em igual extensão. Este Pronunciamento Técnico não se aplica a contratos a executar a menos que eles sejam onerosos.

 

4.      (Eliminado).

 

5.      Quando outro pronunciamento trata de um tipo específico de provisão ou de passivo ou ativo contingente a   entidade   deve   aplica esse   pronunciamento   e ve do   presente pronunciamento. Por exemplo, certos tipos de provisões são tratados nos pronunciamentos relativos a:

(a)  contratos  de  construção  (ver  o  Pronunciamento  Técnico  CPC  17  -  Contratos  de

Construção); (Eliminada pela Revisão CPC 12)

 

(b)  tributos sobre o lucro (ver o Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro);


 

(c) arrendamento mercantil (ver o Pronunciamento Técnico CPC 06 - Operações de Arrendamento Mercantil). Pom, como esse CPC 06 não contém requisitos específicos para tratar arrendamentos mercantis operacionais que tenham se tornado onerosos, este Pronunciamento Técnico aplica-se a tais casos;

 

(d)  benecios  a  empregados  (ver  o  Pronunciamento  Técnico  CPC  33   Benecios  a

Empregados);

 

(e)  contratos de seguro (ver o Pronunciamento Técnico CPC 11 - Contratos de Seguro).

Contudo, este Pronunciamento Técnico aplica-se a provisões e a passivos e ativos contingentes de seguradora que não sejam os resultantes das suas obrigações e direitos contratuais segundo os contratos de seguro dentro do alcance do CPC;

 

 (e) contratos de seguro (ver o Pronunciamento Técnico CPC 11 Contratos de Seguro).

Contudo, este Pronunciamento Técnico aplica-se a provisões e a passivos e ativos contingentes de seguradora que não sejam os resultantes das suas obrigações e direitos contratuais, segundo os contratos de seguro dentro do alcance do CPC; e (Alterada pela Revisão CPC 06)

 

(e)  contratos de seguro (ver CPC 11 Contratos de Seguro). Contudo, este pronunciamento aplica-se a provisões e a passivos e ativos contingentes de seguradora que não sejam os resultantes das suas obrigações e direitos contratuais, segundo os contratos de seguro dentro do alcance do CPC 11; (Alterada pela Revisão CPC 12)

 

(f combinação de negócios (ver o Pronunciamento Técnico CPC 15  –  Combinação de Negócios); nesse Pronunciamento são tratadas as contabilizões de ativos e passivos contingentes adquiridos em combinação de negócios.

 

(f contraprestaçã contingente   de   adquirente   e combinaçã de   negócios   (ve o

Pronunciamento Técnico CPC 15 – Combinação de Negócios. (Alterada pela Revisão CPC 06)

 

(f contraprestação contingente de adquirente em combinação de negócios (ver o CPC 15

Combinação de Negócios; e (Alterada pela Revisão CPC 12)

 

(g)  receita proveniente de contratos com clientes (ver CPC 47 Receita de Contrato com Cliente). Contudo, como o CPC 47 não contém nenhum requisito específico para tratar de contratos com clientes que são ou que se tornaram onerosos, este pronunciamento é aplivel a esses casos. (Incluída pela Revisão CPC 12)

 

6.      Alguns valores tratados como provisão podem relacionar-se com o reconhecimento de receita; por exemplo, quando a entidade dá garantias em troca de remuneração. Este Pronunciamento Técnico  não  trata  do  reconhecimento  de  receita.  O  Pronunciamento  Técnico  CPC  30  – Receitas identifica as circunstâncias em que a receita é reconhecida e proporciona orientação sobre a aplicação dos critérios de reconhecimento. Este Pronunciamento Técnico não altera os requisitos do CPC 30.

 

7.      Este Pronunciamento Técnico define provisão como passivo de prazo ou valor incertos. Em alguns países o termo provisão” é também usado no contexto de itens tais como depreciação, redução ao valor recuperável de ativos e créditos de liquidação duvidosa: estes são ajustes dos valores conbeis de ativos e o são tratados neste Pronunciamento Técnico.

 

8.      Outros Pronunciamentos Técnicos especificam se os gastos são tratados como ativo ou como despesa. Esses assuntos não são tratados neste Pronunciamento Técnico. Consequentemente, este Pronunciamento Técnico não proíbe nem exige a capitalização dos custos reconhecidos


 

quando a provisão é feita.

 

9.      Este Pronunciamento Técnico aplica-se a provisões para reestruturações (incluindo unidades operacionais descontinuadas). Quando uma reestruturação atende à definição de unidade operacional descontinuada, o Pronunciamento Técnico CPC 31 Ativo NãoCirculante Mantido para Venda e Operação Descontinuada pode exigir divulgação adicional.

 

 

Definições

 

10.    Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados especificados:

 

Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos.

 

Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benecios econômicos.

 

Evento que cria obrigação é um evento que cria uma obrigação legal ou não formalizada que faça com que a entidade não tenha nenhuma alternativa realista senão liquidar essa obrigação.

 

Obrigação legal é uma obrigação que deriva de:

 

(a)  contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos); (b)  legislação; ou

(c)  outra ação da lei.

 

Obrigação não formalizada é uma obrigação que decorre das ações da entidade em que:

 

(a) por via de padrão estabelecido de pticas passadas, de políticas publicadas ou de declaração atual suficientemente específica, a entidade tenha indicado a outras partes que aceitará certas responsabilidades; e

 

(b)  em consequência, a entidade cria uma expectativa válida nessas outras partes de que cumprirá com essas responsabilidades.

 

Passivo contingente é:

 

(a)  uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência seconfirmada apenas pela ocorncia ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou

 

(b)  uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque:

 

(i)   não é provável que uma saída de recursos que incorporam benecios econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou

 

(ii)  o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade.

 

Ativo contingente é um ativo possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade.


 

 

Contrato oneroso é um contrato em que os custos inevitáveis de satisfazer as obrigões do contrato excedem os benecios econômicos que se esperam sejam recebidos ao longo do mesmo contrato.

 

Reestruturação é um programa planejado e controlado pela administração e que altera materialmente:

 

(a)  o âmbito de um negócio empreendido por entidade; ou

 

(b)  a maneira como o negócio é conduzido.

 

Provisão e outros passivos

 

11.    As provisões podem ser distintas de outros passivos tais como contas a pagar e passivos derivados de apropriões por competência (accruals) porque há incerteza sobre o prazo ou o valor do desembolso futuro necessário para a sua liquidação. Por contraste:

 

(aas contas a pagar são passivos a pagar por conta de bens ou serviços fornecidos ou recebidos e que tenham sido faturados ou formalmente acordados com o fornecedor; e

 

(b)  os passivos derivados de apropriões por competência (accruals) são passivos a pagar por bens ou serviços fornecidos ou recebidos, mas que não tenham sido pagos, faturados ou formalmente acordados com o fornecedor, incluindo valores devidos a empregados (por exemplo, valores relacionados com pagamento de férias). Embora algumas vezes seja necessário estimar o valor ou prazo desses passivos, a incerteza é geralmente muito menor do que nas provisões.

 

Os passivos derivados de apropriação por competência (accruals) são frequentemente divulgados como parte das contas a pagar, enquanto as provisões são divulgadas separadamente.

 

Relação entre provisão e passivo contingente

 

12.    Em sentido geral, todas as provisões são contingentes porque são incertas quanto ao seu prazo ou valor. Porém, neste Pronunciamento Técnico o termo “contingente” é usado para passivos e ativos que não sejam reconhecidos porque a sua existência somente seconfirmada pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob o controle da entidade. Adicionalmente, o termo passivo contingente é usado para passivos que não satisfaçam os critérios de reconhecimento.

 

13.    Este Pronunciamento Técnico distingue entre:

 

(a)  provisões que são reconhecidas como passivo (presumindo-se que possa ser feita uma estimativa confiável) porque são obrigações presentes e é provável que uma saída de recursos que incorporam benecios econômicos seja necessária para liquidar a obrigação; e

 

(b)  passivos contingentes que não são reconhecidos como passivo porque o:

 

(i)   obrigações possíveis, visto que ainda há de ser confirmado se a entidade tem ou não uma obrigação presente que possa conduzir a uma saída de recursos que incorporam benecios econômicos, ou


 

(ii) obrigações presentes que não satisfazem os critérios de reconhecimento deste Pronunciamento Técnico (porque não é provável que seja necessária uma saída de recursos que incorporem benecios econômicos para liquidar a obrigação, ou não pode ser feita uma estimativa suficientemente confiável do valor da obrigação).

 

Reconhecimento

 

Provisão

 

14.    Uma provisão deve ser reconhecida quando:

 

(a)  a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado;

 

(b) seja provável que se necessária uma saída de recursos que incorporam benecios econômicos para liquidar a obrigação; e

 

(c)  possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação.

 

Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser reconhecida. Obrigação presente

15.    Em casos raros não é claro se existe ou não uma obrigação presente. Nesses casos, presume-se que um evento passado dá origem a uma obrigação presente se, levando em consideração toda a evidência disponível,  é mais  provável  que sim  do  que  não  que  existe  uma obrigação presente na data do balanço.

 

16.    Em quase todos os casos se claro se um evento passado deu origem a uma obrigação presente. Em casos raros como em um processo judicial, por exemplo –, pode-se discutir tanto se certos eventos ocorreram quanto se esses eventos resultaram em uma obrigação presente. Nesse caso, a entidade deve determinar se a obrigação presente existe na data do balançaconsiderar toda a evidência disponível  incluindo,  por exemplo,  a opinião  de peritos.  evidência  considerada  inclui  qualqueevidência  adicional  proporcionada  por eventos após a data do balanço. Com base em tal evidência:

 

(a)  quando for mais provável que sim do que não que existe uma obrigação presente na data do balanço, a entidade deve reconhecer a provisão (se os critérios de reconhecimento forem satisfeitos); e

 

(b)  quando for mais provável que não existe uma obrigação presente na data do balanço, a entidade divulga um passivo contingente, a menos que seja remota a possibilidade de uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos (ver item 86).

 

Evento passado

 

17.    Um evento passado que conduz a uma obrigação presente é chamado de um evento que cria obrigação. Para um evento ser um evento que cria obrigação, é necessário que a entidade não tenha qualquer alternativa realista senão liquidar a obrigação criada pelo evento. Esse é o caso somente:

 

(a)  quando a liquidação da obrigação pode ser imposta legalmente; ou

 

(b)  no caso de obrigação não formalizada, quando o evento (que pode ser uma ação da


 

entidade) cria expectativas válidas em terceiros de que a entidade cumprirá a obrigação.

 

18.    As demonstrões contábeis tratam da posição financeira da entidade no fim do seu período de divulgação e não da sua possível posição no futuro. Por isso, nenhuma provisão é reconhecida para despesas que necessitam ser incorridas para operar no futuro. Os únicos passivos reconhecidos no balanço da entidade são os que existem na data do balanço.

 

19.    São reconhecidas como provisão apenas as obrigões que surgem de eventos passados que existam independentemente de ões futuras da entidade (isto é, a conduta futura dos seus negócios). São exemplos de tais obrigões as penalidades ou os custos de limpeza de danos ambientais ilegais, que em ambos os casos dariam origem na liquidação a uma saída de recursos  que incorporam  benecios  econômicos  independentemente daões  futuras  da entidade. De forma similar, a entidade reconhece uma provisão para os custos de descontinuidade de poço de petróleo ou de central elétrica nuclear na medida em que a entidade é obrigada a retificar danos causados. Por outro lado, devido a pressões comerciais ou exigências legais, a entidade pode pretender ou precisar efetuar gastos para operar de forma  particular  no  futuro  (por  exemplo,  montando  filtros  de  fuma  em  certo  tipo  de fábrica). Dado que a entidade pode evitar os gastos futuros pelas suas próprias ões, por exemplo, alterando o seu modo de operar, ela não tem nenhuma obrigação presente relativamente a esse gasto futuro e nenhuma provisão é reconhecida.

 

20.    Uma obrigação envolve sempre outra parte a quem se deve a obrigação. Não é necessário, porém, saber a identidade da parte a quem se deve a obrigação na verdade, a obrigação pode ser ao público em geral. Em virtude de obrigação envolver sempre compromisso com outra parte, isso implica que a decisão da diretoria ou do conselho de administração não dá origem a uma obrigação não formalizada na data do balanço, a menos que a decisão tenha sido comunicada antes daquela data aos afetados por ela de forma suficientemente específica para suscitar neles uma expectativa válida de que a entidade cumprirá as suas responsabilidades.

 

21.    Um evento que não gera imediatamente uma obrigação pode gerá-la em data posterior, por foa de alterões na lei ou porque um ato da entidade (por exemplo, uma declaração pública suficientemente específica) dá origem a uma obrigação não formalizada. Por exemplo, quando forem causados danos ambientais, pode não haver obrigação para remediar as consequências. Pom, o fato de ter havido o dano torna-se um evento que cria obrigões quando uma nova lei exige que o dano existente seja retificado ou quando a entidade publicamente aceita a responsabilidade pela retificação de modo a criar uma obrigação não formalizada.

 

22.    Quando os detalhes de nova lei proposta ainda tiverem de ser finalizados, a obrigação surgirá somente quando for praticamente certo que a legislação será promulgada conforme a minuta divulgada. Para a finalidade deste Pronunciamento Técnico, tal obrigão é tratada como obrigação legal. As diferenças de circunstâncias relativas à promulgação tornam impossível especificar um único evento que torna a promulgação de lei praticamente certa. Em muitos casos será impossível estar praticamente certo da promulgação de legislação a que ela seja promulgada.

 

 

Saída provável de recursos que incorporam benefícios econômicos

 

23.    Para que um passivo se qualifique para reconhecimento, é necessário haver não somente uma obrigação  presente,  mas  também  a  probabilidade  de  saída  de  recursos  que  incorporam


 

benecios econômicos para liquidar essa obrigão. Para a finalidade deste Pronunciamento Técnico1, uma saída de recursos ou outro evento é considerado como provável se o evento for mais provável que sim do que não de ocorrer, isto é, se a probabilidade de que o evento ocorrerá for maior do que a probabilidade de isso não acontecer. Quando não for provável que exista uma obrigação presente, a entidade divulga um passivo contingente, a menos que a possibilidade de saída de recursos que incorporam benecios econômicos seja remota (ver item 86).

 

24.    Quando há várias obrigações semelhantes (por exemplo, garantias sobre produtos ou contratos semelhantes), a avaliação da probabilidade de que uma saída de recursos se exigida na liquidação deverá considerar o tipo de obrigação como um todo. Embora possa ser pequena a probabilidade de uma saída de recursos para qualquer item isoladamente, pode ser provável que alguma saída de recursos ocorra para o tipo de obrigação. Se esse for o caso, uma provisão é reconhecida (se os outros critérios para reconhecimento forem atendidos).

 

Estimativa confiável da obrigação

 

25.    O uso de estimativas é uma parte essencial da elaboração de demonstrões contábeis e não prejudica a sua confiabilidade. Isso é especialmente verdadeiro no caso de provisões, que pela sua natureza são mais incertas do que a maior parte de outros elementos do balanço. Exceto em casos extremamente raros, a entidade é capaz de determinar um conjunto de desfechos possíveis  e,  dessa  forma,  fazer  uma  estimativa  da  obrigação  que  seja  suficientemente confiável para ser usada no reconhecimento da provisão.

 

26.    Nos casos extremamente raros em que nenhuma estimativa confiável possa ser feita, existe um  passivo  que  não  pode  ser  reconhecido.  Esse  passivo  é  divulgado  como  passivo contingente (ver item 86).

 

Passivo contingente

 

27.    A entidade não deve reconhecer um passivo contingente.

 

28.    O passivo contingente é divulgado, como exigido pelo item 86, a menos que seja remota a possibilidade de uma saída de recursos que incorporam benecios econômicos.

 

29.    Quando  a  entidade  for  conjunta  e  solidariamente  responsável  por  obrigação,  a  parte  da obrigação que se espera que as outras partes liquidem é tratada como passivo contingente. A entidade reconhece a provisão para a parte da obrigação para a qual é provável uma saída de recursos  que  incorporam  benecios  econômicos,  exceto  em  circunstâncias  extremamente raras em que nenhuma estimativa suficientemente confiável possa ser feita.

 

30.    Os passivos contingentes podem desenvolver-se de maneira não inicialmente esperada. Por isso, são periodicamente avaliados para determinar se uma saída de recursos que incorporam benecios econômicos se tornou provável. Se for provável que uma saída de benefícios econômicos futuros serão exigidos para um item previamente tratado como passivo contingente, a provisão deve ser reconhecida nas demonstrões contábeis do período no qual

 

 

 

1        A  definição  de  provável  neste  Pronunciamento  de  mais  provável  que  sim  do  que  não  de  ocorrer não

necessariamente se aplica a outros pronunciamentos.


 

ocorre a mudança na estimativa da probabilidade (exceto em circunstâncias extremamente raras em que nenhuma estimativa suficientemente confiável possa ser feita).

 

Ativo contingente

 

31.    A entidade não deve reconhecer um ativo contingente.

 

32.    Os  ativos  contingentes  surgem  normalmente  de  evento  não  planejado  ou  de  outros  não esperados  que  dão  origem  à  possibilidade  de  entrada  de  benecios  econômicos  para  a entidade. Um exemplo é uma reivindicação que a entidade esteja reclamando por meio de processos legais, em que o desfecho seja incerto.

 

33.    Os ativos contingentes não são reconhecidos nas demonstrões contábeis, uma vez que pode tratar-se de resultado que nunca venha a ser realizado. Pom, quando a realização do ganho é praticamente certa, então o ativo relacionado não é um ativo contingente e o seu reconhecimento é adequado.

 

34.    O ativo contingente é divulgado, como exigido pelo item 89, quando for provável a entrada de benecios econômicos.

 

35.    Os ativos contingentes são avaliados periodicamente para garantir que os desenvolvimentos sejam apropriadamente refletidos nas demonstrões contábeis. Se for praticamente certo que ocorrerá uma entrada de benecios econômicos, o ativo e o correspondente ganho são reconhecidos nas demonstrões contábeis do período em que ocorrer a mudança de estimativa. Se a entrada de benecios econômicos se tornar provável, a entidade divulga o ativo contingente (ver item 89).

 

Mensuração

 

Melhor estimativa

 

36.    O valor reconhecido como provisão deve ser a melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obrigação presente na data do balanço.

 

37.    A melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obrigação presente é o valor que a entidade racionalmente pagaria para liquidar a obrigação na data do balanço ou para transferi- la para terceiros nesse momento. É muitas vezes impossível ou proibitivamente dispendioso liquidar ou transferir a obrigação na data do balanço. Pom, a estimativa do valor que a entidade racionalmente pagaria para liquidar ou transferir a obrigação produz a melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obrigação presente na data do balanço.

 

38.    As  estimativas  do  desfecho  e do  efeito  financeiro  são  determinadapelo  julgamento  da administração da entidade, complementados pela experiência de transações semelhantes e, em alguns casos, por relatórios de peritos independentes. As evidências consideradas  devem incluir qualquer evidência adicional fornecida por eventos subsequentes à data do balanço.

 

39.    As incertezas que rodeiam o valor a ser reconhecido como provisão são tratadas por vários meios de acordo com as circunstâncias. Quando a provisão a ser mensurada envolve uma grande população de itens, a obrigação deve ser estimada ponderando-se todos os possíveis


 

desfechos  pelas  suas probabilidadeassociadas.  O nome para esse método  estatístico  de estimativa é valor esperado. Portanto, a provisão será diferente dependendo de a probabilidade da perda de um dado valor ser, por exemplo, de 60 por cento ou de 90 por cento. Quando houver uma escala contínua de desfechos possíveis, e cada ponto nessa escala é tão provável como qualquer outro, é usado o ponto médio da escala.

 

Exemplo

 

A entidade vende bens com uma garantia segundo a qual os clientes estão cobertos pelo custo da reparação de qualquer defeito de fabricação que se tornar evidente dentro dos primeiros seis meses após  a compra. Se forem detectados defeitos menores em  todos os produtos vendidos, a entidade irá incorrer em custos de reparação de 1 milhão. Se forem detectados defeitos  maiores  em  todos  os  produtos  vendidos,  entidade  irá  incorreem  custos  de reparação de 4 milhões. A experiência passada da entidade e as expectativas futuras indicam que, para o próximo ano, 75 por cento dos bens vendidos não terão defeito, 20 por cento dos bens vendidos terão defeitos menores e 5 por cento dos bens vendidos terão defeitos maiores. De acordo com o item 24, a entidade avalia a probabilidade de uma saída para as obrigações de garantias como um todo.

 

O valor esperado do custo das reparões é: (75% x 0) + (20% x $ 1 milhão) + (5% de $ 4 milhões) = $ 400.000.

 

40.    Quando uma única obrigação estiver sendo mensurada, o desfecho individual mais provável pode ser a melhor estimativa do passivo. Pom, mesmo em tal caso, a entidade considera outras consequências possíveis. Quando outras consequências possíveis forem principalmente mais altas ou principalmente mais baixas do que a consequência mais provável, a melhor estimativa se um valor mais alto ou mais baixo. Por exemplo, se a entidade tiver de reparar um defeito grave em uma fábrica importante que tenha construído para um cliente, o resultado individual mais provável pode ser a reparação ter sucesso na primeira tentativa por um custo de $ 1.000, mas a provisão é feita por um valor maior se houver uma chance significativa de que outras tentativas serão necessárias.

 

41.    A provisão deve ser mensurada antes dos impostos; as consequências fiscais da provisão, e alterações nela, são tratadas pelo Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro.

 

Risco e incerteza

 

42.    Os  riscos  e  incertezas  que  inevitavelmente  existem  em  torno  de  muitos  eventos  e circunstâncias devem ser levados em consideração para se alcançar a melhor estimativa da provisão.

 

43.    O risco descreve a variabilidade de desfechos. Uma nova avaliação do risco pode aumentar o valor pelo qual um passivo é mensurado. É preciso ter cuidado ao realizar julgamentos em condições de incerteza, para que as receitas ou ativos não sejam superavaliados e as despesas ou passivos não sejam subavaliados. Pom, a incerteza não justifica a criação de provisões excessivas  ou  uma  superavaliação  deliberada  de  passivos.  Por  exemplo,  se  os  custos projetados de desfecho particularmente adverso forem estimados em base conservadora, então esse desfecho não é deliberadamente tratado como sendo mais provável do que a situação realística do caso. É necessário cuidado para evitar duplicar ajustes de risco e incerteza com a


 

consequente superavaliação da provisão.

 

44.    A divulgação das incertezas que cercam o valor do desembolso é feita de acordo com o item

85(b).

 

Valor presente

 

45.    Quando o efeito do valor do dinheiro no tempo é material, o valor da provisão deve ser o valor presente dos desembolsos que se espera que sejam exigidos para liquidar a obrigação.

 

46.    Em virtude do valor do dinheiro no tempo, as provisões relacionadas com saídas de caixa que surgem logo após a data do balanço são mais onerosas do que aquelas em que as saídas de caixa de mesmo valor surgem mais tarde. Em função disso, as provisões são descontadas, quando o efeito é material.

 

 

47.    A taxa de desconto deve ser a taxa antes dos impostos que reflita as atuais avaliões de mercado quanto ao valor do dinheiro no tempo e os riscos específicos para o passivo. A taxa de desconto não deve refletir os riscos relativamente aos quais as estimativas de fluxos de caixa futuros tenham sido ajustadas. (Veja-se o Pronunciamento Técnico CPC 12 Ajuste a Valor Presente).

 

Evento futuro

 

48.    Os eventos futuros que possam afetar o valor necessário para liquidar a obrigação devem ser refletidos  no  valor  da  provisão  quando  houver  evidência objetiva suficiente de que eles ocorrerão.

 

49.    Os  eventos  futuros  esperados  podem  ser  particularmente  importantes  ao  mensurar  as provisões. Por exemplo, a entidade pode acreditar que o custo de limpar um local no fim da sua vida útil será reduzido em função de mudanças tecnológicas futuras. O valor reconhecido reflete uma expectativa razoável de observadores tecnicamente qualificados e objetivos, tendo em vista toda a evidência disponível quanto à tecnologia que esta disponível no momento da limpeza. Portanto, é apropriado incluir, por exemplo, reduções de custo esperadas associadas com experiência desenvolvida na aplicação de tecnologia existente ou o custo esperado de aplicação da tecnologia existente a uma operação de limpeza maior ou mais complexa da que previamente tenha sido levada em consideração. Pom, a entidade não deve antecipar o desenvolvimento  da  tecnologia  completamente  nova  de  limpeza  a  menos  que  isso  seja apoiado por evidência objetiva suficiente.

 

50.    O  efeito  de  possível  legislação  nova  deve  ser  considerado  na  mensuração  da  obrigação existente quando existe evidência objetiva suficiente de que a promulgação da lei é praticamente certa. A variedade de circunstâncias que surgem na ptica torna impossível especificar um evento único que proporciona evidência objetiva suficiente em todos os casos. Exige-se evidência do que a legislação vai exigir e também de que a sua promulgação e a sua implementação são praticamente certas. Em muitos casos não existe evidência objetiva suficiente até que a nova legislação seja promulgada.

 

Alienação esperada de ativo


 

51.    Os  ganhos  da  alienação  esperada  dativos  não  devem  ser  levados  em  consideração  ao mensurar a provisão.

 

52.    Os  ganhos  na  alienação  esperada  dativos  não  devem  ser  levados  em  consideração  ao mensurar a provisão, mesmo se a alienação esperada estiver intimamente ligada ao evento que dá origem à provisão.  Em vez disso, a entidade  deve reconhecer ganhos nas alienões esperadas de ativos no momento determinado pelo Pronunciamento Técnico que trata dos respectivos ativos.

 

Reembolso

 

53.    Quando se espera que algum ou todos os desembolsos necessários para liquidar uma provisão sejam reembolsados por outra parte, o reembolso deve ser reconhecido quando, e somente quando, for praticamente certo que o reembolso serecebido se a entidade liquidar a obrigação. O reembolso deve ser tratado como ativo separado. O valor reconhecido para o reembolso não deve ultrapassar o valor da provisão.

 

54.    Na demonstração do resultado, a despesa relativa a uma provisão pode ser apresentada líquida do valor reconhecido de reembolso.

 

55.    Algumas  vezes,  a  entidade  é  capaz  de  esperar  que  outra  parte  pague  parte  ou  todo  o desembolso necessário para liquidar a provisão (por exemplo, por intermédio de contratos de seguro, cláusulas de indenização ou garantias de fornecedores). A outra parte pode reembolsar valores pagos pela entidade ou pagar diretamente os valores.

 

56.    Na maioria dos  casos,  a entidade permanece comprometida pela totalidade do  valor  em questão de forma que a entidade teria que liquidar o valor inteiro se a terceira parte deixasse de efetuar o pagamento por qualquer razão. Nessa situação, é reconhecida uma provisão para o valor inteiro do passivo e é reconhecido um ativo separado pelo reembolso esperado, desde que seu recebimento seja praticamente certo se a entidade liquidar o passivo.

 

57.    Em alguns casos, a entidade não está comprometida pelos custos em questão se a terceira parte deixar de efetuar o pagamento. Nesse caso, a entidade não tem nenhum passivo relativo a esses custos, não sendo assim incluídos na provisão.

 

58.    Como referido no item 29, a obrigação pela qual a entidade esteja conjunta e solidariamente responsável é um passivo contingente, uma vez que se espera que a obrigação seja liquidada pelas outras partes.

 

Mudança na provisão

 

59.    As provisões devem ser reavaliadas em cada data de balanço e ajustadas para refletir a melhor estimativa corrente. Se já não for mais provável que seja necessária uma saída de recursos que incorporam benecios econômicos futuros para liquidar a obrigação, a provisão deve ser revertida.

 

60.    Quando for utilizado o desconto a valor presente, o valor contábil da provisão aumenta a cada período para refletir a passagem do tempo. Esse aumento deve ser reconhecido como despesa financeira.


 

 

Uso de provisão

 

61.    Uma provisão deve ser usada somente para os desembolsos para os quais a provisão foi originalmente reconhecida.

 

62.    Somente os desembolsos que se relacionem com a provisão original são compensados com a mesma provisão. Reconhecer os desembolsos contra uma provisão que foi originalmente reconhecida para outra finalidade esconderia o impacto de dois eventos diferentes.

 

Aplicações de regra de reconhecimento e de mensuração

 

Perda operacional futura

 

63.    Provisões para perdas operacionais futuras não devem ser reconhecidas.

 

64.    As perdas operacionais futuras não satisfazem à definição de passivo do item 10, nem os critérios gerais de reconhecimento estabelecidos no item 14.

 

65.    A expectativa de perdas operacionais futuras é uma indicação de que certos ativos da unidade operacional podem não ser recuperáveis. A entidade deve testar esses ativos quanto à recuperabilidade  segundo  o  Pronunciamento   Técnico  CPC  01   –   Redução   ao  Valor Recuperável de Ativos.

 

Contrato oneroso

 

66.    Se a entidade tiver um contrato oneroso, a obrigação presente de acordo com o contrato deve ser reconhecida e mensurada como provisão.

 

67.    Muitos contratos (por exemplo, algumas ordens de compra de rotina) podem ser cancelados sem pagar compensação à outra parte e, portanto, não obrigação. Outros contratos estabelecem direitos e obrigações para cada uma das partes do contrato. Quando os eventos tornam esse contrato oneroso, o contrato deve ser tratado dentro do alcance deste Pronunciamento Técnico, e existirá um passivo que deve ser reconhecido. Os contratos de execução que não sejam onerosos não são abrangidos por este Pronunciamento Técnico.

 

68.    Este Pronunciamento Técnico define um contrato oneroso como um contrato em que os custos inevitáveis de satisfazer as obrigões do contrato excedem os benecios econômicos que se espersejam  recebidos  ao  longo  do  mesmo  contrato.  Os  custos  inevitáveis  do  contrato refletem o menor custo líquido de sair do contrato, e este é determinado com base a) no custo de  cumprir  o  contrato  ou  b)  no  custo  de  qualquer  compensação  ou  de  penalidades provenientes do não cumprimento do contrato, dos dois o menor.

 

69.    Antes de ser estabelecida uma provisão separada para um contrato oneroso, a entidade deve reconhecer  qualquer  perda  decorrente  de  desvalorização  que  tenha  ocorrido  nos  ativos relativos a esse contrato (ver o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos).

 

Reestruturação


 

 

70.    Exemplos de eventos que podem se enquadrar na definição de reestruturação são: (a)  venda ou extinção de linha de negócios;

(b)  fechamento de locais de negócios de um país ou região ou a realocação das atividades de negócios de um país ou região para outro;

 

(c)  mudanças  nestrutura  da  administração,  por  exemplo,  eliminação  de  um  nível  de gerência; e

 

(d) reorganizões fundamentais que tenham efeito material na natureza e no foco das operações da entidade.

 

71.   Uma provisão para custos de reestruturação deve ser reconhecida somente quando são cumpridos os critérios gerais de reconhecimento de provisões estabelecidos no item 14. Os itens 72 a 83 demonstram como os critérios gerais de reconhecimento se aplicam às reestruturões.

 

72.    Uma obrigação não formalizada para reestruturação surge somente quando a entidade: (a)  tiver um plano formal detalhado para a reestruturação, identificando pelo menos:

(i)   o negócio ou parte do negócio em questão, (ii)  os principais locais afetados,

(iii)  o local, as funções e o número aproximado de empregados que serão incentivados financeiramente a se demitir,

 

(iv)  os desembolsos que serão efetuados; e

 

(v)  quando o plano será implantado; e

 

(b)  tiver criado expectativa válida naqueles que serão afetados pela reestruturação, seja ao começar a implantação desse plano ou ao anunciar as suas principais características para aqueles afetados pela reestruturação.

 

73.    A evidência de que a entidade começou a implantar o plano de reestruturação seria fornecida, por exemplo, pela desmontagem da fábrica, pela venda de ativos ou pela divulgação das principais características do plano. A divulgação do plano detalhado para reestruturação constitui obrigação não formalizada para reestruturação somente se for feita de tal maneira e em detalhes suficientes (ou seja, apresentando as principais características do plano) que origine expectativas válidas de outras partes, tais como clientes, fornecedores e empregados (ou os seus representantes) de que a entidade realiza a reestruturação.

 

74.    Para que o plano seja suficiente para dar origem a uma obrigação não formalizada, quando comunicado àqueles por ele afetados, é necessário que sua implementação comece o mais rápido possível e seja concluída dentro de um prazo que torne improvável a ocorrência de mudanças significativas no plano. Entretanto, caso se espere que haja grande atraso antes de a reestruturação começar ou que esta demore tempo demais, deixa de ser provável que o plano crie expectativa válida da parte de outros de que a entidade está, atualmente, comprometida com a reestruturação, porque o período de execução dá oportunidade para a entidade mudar seus planos.


 

75.    Uma decisão de reestruturação da administração ou da diretoria tomada antes da data do balanço não dá origem a uma obrigação não formalizada na data do balanço, a menos que a entidade tenha, antes da data do balanço:

 

(a)  começado a implementação do plano de reestruturação; ou

 

(b)  anunciado as principais características do plano de reestruturação àqueles afetados por ele, de forma suficientemente específica, criando neles expectativa válida de que a entidade fará a reestruturação.

 

A entidade pode começar a implementar um plano de reestruturação, ou anunciar as suas principais características àqueles afetados pelo plano, somente depois da data do balanço. Exige-se divulgação conforme o Pronunciamento Técnico CPC 24 – Evento Subsequente, se a reestruturação for material e se a não divulgação puder influenciar as decisões econômicas dos usuários tomadas com base nas demonstrações contábeis.

 

76.    Embora uma obrigação não formalizada não seja criada apenas por decisão da administração, ela pode resultar de outros eventos anteriores combinados com essa decisão. Por exemplo, as negociações com representantes de empregados para pagamento de demissões, ou com compradores, para a venda de operação, podem ter sido concluídas, sujeitas apenas à aprovação da diretoria. Uma vez obtida a aprovação e comunicada às outras partes, a entidade tem uma obrigação não formalizada de reestruturar, se as condições do item 72 forem atendidas.

 

77.    Em alguns casos, a alta administração está inserida no conselho cujos membros incluem representantes de interesses diferentes dos de uma administração (por exemplo, empregados) ou a notificação para esses representantes pode ser necessária antes de ser tomada a decisão pela alta administração. Quando uma decisão desse conselho envolve a comunicação a esses representantes, isso pode resultar em obrigação não formalizada de reestruturar.

 

78.   Nenhuma obrigação surge pela venda de unidade operacional até que a entidade esteja comprometida com essa operação, ou seja, quando há um contrato firme de venda.

 

79.    Mesmo quando a entidade tiver tomado a decisão de vender uma unidade operacional e anunciado publicamente essa decisão, ela pode não estar comprometida com a venda até que o comprador tenha sido identificado e houver contrato firme de venda. Até haver contrato firme de venda, a entidade pode mudar de idéia e, de fato, terá de tomar outras medidas se não puder ser encontrado comprador em termos aceitáveis. Quando a venda de uma unidade operacional for vista como parte da reestruturação, os ativos da unidade operacional são avaliados quanto à sua recuperabilidade, conforme o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. Quando a venda for somente uma parte da reestruturação, uma obrigação não formalizada poderá surgir para as outras partes da reestruturação antes de existir um contrato de venda firme.

 

80.    A provisão para reestruturação deve incluir somente os desembolsos diretos decorrentes da reestruturação, que simultaneamente sejam:

 

(a)  necessariamente ocasionados pela reestruturação; e

 

(b)  não associados às atividades em andamento da entidade.

 

81.    A provisão para reestruturação não inclui custos como:


 

(a)  novo treinamento ou remanejamento da equipe permanente; (b)  marketing; ou

(c)  investimento em novos sistemas e redes de distribuição.

 

Esses desembolsos relacionam-se com a conduta futura da empresa e não são passivos de reestruturação na data do balanço. Tais desembolsos devem ser reconhecidos da mesma forma que o seriam se surgissem independentemente da reestruturação.

 

82.    Perdas  operacionais  futuras,  identifiveis  a a  data  da  reestruturação  não  devem  ser incluídas em uma provisão, a menos que se relacionem a contrato oneroso, conforme definido no item 10.

 

83.    Conforme exigido pelo item 51, os ganhos na alienação esperada de ativos não devem ser levados em consideração ao mensurar uma provisão para reestruturação, mesmo que a venda de ativos seja vista como parte da reestruturação.

 

Divulgação

 

84.    Para cada classe de provisão, a entidade deve divulgar: (a)  o valor contábil no início e no fim do período;

(b)  provisões adicionais feitas no período, incluindo aumentos nas provisões existentes; (c valores utilizados (ou seja, incorridos e baixados contra a provisão) durante o período; (d)  valores não utilizados revertidos durante o período; e

(e)  o  aumento  durante  o  período  no  valor  descontado  a  valor  presente  proveniente  da passagem do tempo e o efeito de qualquer mudança na taxa de desconto.

 

Não é exigida informação comparativa.

 

85.    A entidade deve divulgar, para cada classe de provisão:

 

(a)  uma breve descrição da natureza da obrigação e o cronograma esperado de quaisquer saídas de benecios econômicos resultantes;

 

(b)  uma indicação das incertezas sobre o valor ou o cronograma dessas saídas. Sempre que necessário para fornecer informações adequadas, a entidade deve divulgar as principais premissas adotadas em relação a eventos futuros, conforme tratado no item 48; e

 

(c)  o valor de qualquer reembolso esperado, declarando o valor de qualquer ativo que tenha sido reconhecido por conta desse reembolso esperado.

 

86.    A menos que seja remota a possibilidade de ocorrer qualquer desembolso na liquidação, a entidade deve divulgar, para cada classe de passivo contingente na data do balanço, uma breve descrição da natureza do passivo contingente e, quando prativel:

 

(a)  a estimativa do seu efeito financeiro, mensurada conforme os itens 36 a 52;

 

(b)  a indicação das incertezas relacionadas ao valor ou momento de ocorrência de qualquer saída; e

 

(c)  a possibilidade de qualquer reembolso.


 

87.    Na determinação de quais provisões ou passivos contingentes podem ser agregados para formar uma única classe, é necessário considerar se a natureza dos itens é suficientemente similar para divulgação única que cumpra as exigências dos itens 85(a) e (b) e 86(a) e (b). Assim, pode ser apropriado tratar como uma classe única de provisão os valores relacionados a garantias de produtos diferentes, mas não seria apropriado tratar como uma classe única os valores relacionados a garantias normais e valores relativos a processos judiciais.

 

88.    Quando a provisão e o passivo contingente surgirem do mesmo conjunto de circunstâncias, a entidade deve fazer as divulgações requeridas pelos itens 84 a 86 de maneira que evidencie a ligação entre a provisão e o passivo contingente.

 

89.    Quando for provável a entrada de benecios econômicos, a entidade deve divulgar breve descrição da natureza dos ativos contingentes na data do balanço e, quando prativel, uma estimativa dos seus efeitos financeiros, mensurada usando os princípios estabelecidos para as provisões nos itens 36 a 52.

 

90.    É importante que as divulgações de ativos contingentes evitem dar indicões indevidas da probabilidade de surgirem ganhos.

 

91.    Quando algumas das informações exigidas pelos itens 86 e 89 não forem divulgadas por não ser praticável fazê-lo, a entidade deve divulgar esse fato.

 

92.    Em casos extremamente raros, pode-se esperar que a divulgação de alguma ou de todas as informações exigidas pelos itens 84 a 89 prejudique seriamente a posição da entidade em uma disputa com outras partes sobre os assuntos da provisão, passivo contingente ou ativo contingente. Em tais casos, a entidade não precisa divulgar as informões, mas deve divulgar a natureza geral da disputa, juntamente com o fato de que as informações não foram divulgadas, com a devida justificativa.

 

 

 

 

Apêndice A

 

Tabelas Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes e reembolso

 

Este apêndice é apenas ilustrativo e não faz parte do Pronunciamento Técnico. Seu propósito é resumir os principais requerimentos do Pronunciamento.

 

 

Provisão e passivo contingente

 

 

 

São caracterizados em situações nas quais, como resultado de eventos passados, pode haver uma saída de recursos envolvendo benefícios econômicos futuros na liquidação de: (a) obrigação presente; ou (b) obrigação possível cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade.

Há   obrigaçã presente que              provavelmente

requer   um saída   de recursos.

Há obrigação possível ou obrigação  presente  que

pode       requerer,       mas provavelment nã irá

Há obrigação possível ou obrigação  presente  cuja

probabilidade    de     uma saída     de     recursos      é


 

 

requerer,  uma  saída  de

recursos.

remota.

 

A provisão é  reconhecida

(item 14).

 

Nenhuma      provisão       é reconhecida (item 27).

 

Nenhuma      provisão       é reconhecida (item 27).

 

Divulgação é exigida para a provisão (itens 84 e 85).

 

Divulgação é exigida para o  passivo  contingente (item 86).

 

Nenhuma    divulgação     é exigida (item 86).

 

 

Uma contingência passiva também é originada em casos extremamente raros nos quais um passivo que não pode ser reconhecido porque não pode ser mensurado confiavelmente. Divulgação é requerida para o passivo contingente.

 

Ativo contingente

 

 

São caracterizados em situações nas quais, como resultado de eventos passados, há um ativo possível cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não  de  um ou  mais eventos futuros incertos não  totalmente sob  controle da entidade.

 

A entrada de benefícios econômicos é praticamente certa.

A entrada de benefícios econômicos é provável, ma nã praticamente

certa.

 

A       entrada        não       é provável.

 

O ativo não é contingente

(item 33).

 

Nenhum          ativo           é reconhecido (item 31).

 

Nenhum          ativo           é reconhecido (item 31).

 

 

Divulgação é exigida (item

89).

 

Nenhuma    divulgação     é exigida (item 89).

 

Reembolso

 

 

 

São  caracterizados  em  situações  nas  quais  se  espera  que  parte  ou  todo  o desembolso necessário para liquidar a provisão seja reembolsado por outra parte.

 

 

A entidade não tem obrigação em relação à parcela do desembolso a ser reembolsado pela outra parte.

 passiv relativ ao

valor que se espera ser reembolsado permanece com a entidade e é praticamente certo que o reembolso será recebido se a  entidade liquidar a provisão.

 passiv relativ ao

valor que se espera ser reembolsado permanece com a  entidade e  não  é praticamente certo que o reembolsserá  recebido se a  entidade liquidar a provisão.

 

 

 

 

entidadnão  tem passiv em   relação   ao valor a ser reembolsado (item 57).

O           reembolso           é

reconhecido como ativo separado no balanço patrimonial e pode ser compensado contra a despesa  na  demonstração de resultados. O valor reconhecido para o reembolso esperado não ultrapassa o passivo (itens

53 e 54).

 

 

 

 

O reembolso esperado não é reconhecido como ativo (item 53).


 

 

Nenhuma    divulgação     é exigida.


O reembolso é divulgado juntamente com o valor reconhecido para o desembolso (item 85(c)).


O  reembolso  esperado  é divulgado (item 85(c)).


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apêndice B Árvore de decio

Este apêndice é apenas ilustrativo e não faz parte do Pronunciamento Técnico. Seu propósito é

resumir  os  principais  requerimentos  de  reconhecimento  do  Pronunciamento  para  provisões  e passivos contingentes.


 

 

 

Início

 

 

 

 

 

 


Obrigação presente como resultado de evento que gera obrigação


 

Não


Obrigação possível?


 

Não


 


Sim


Sim


 

 

 


Saída provável?


 

Não


Remota?


 

Sim


 


Sim


Não


 

 

 


Estimativa

Confiável?


 

Não (raro)


 

 

Sim

 

 


 

Reconhecer


Divulgar o

passivo contingente                                   Não fazer nada


 

 

 

 

 

Nota: em casos raros, não é claro se há uma obrigação presente. Nesses casos, presume-se que um evento passado origem a uma obrigação presente se, levando em consideração toda a evidência disponível, é mais provável que sim do que não que existe obrigação presente na data do balanço (item 15 desse Pronunciamento Técnico).

 

 

 

Apêndice C

 

Exemplos: reconhecimento

 

Este apêndice é apenas ilustrativo e não faz parte do Pronunciamento Técnico.

 

Todas as entidades dos exemplos encerram suas demonstrões contábeis em 31 de dezembro. Em todos os casos, assume-se que uma estimativa confiável pode ser feita para quaisquer saídas esperadas. Em alguns exemplos, as circunstâncias descritas podem ter resultado em reduções ao valor recuperável de ativos esse aspecto não é tratado nos exemplos.

 

As referências cruzadas fornecidas nos exemplos indicam itens do Pronunciamento Técnico que são


 

particularmente relevantes.

 

As referências sobre a melhor estimativa” se referem ao montante do valor presente, em que o

efeito do valor do dinheiro no tempo é material.

 

Exemplo 1 Garantia

 

Um fabricante garantias no momento da venda para os compradores do seu produto. De acordo com os termos do contrato de venda, o fabricante compromete a consertar, por reparo ou substituição, defeitos de produtos que se tornarem aparentes dentro de três anos desde a data da venda. De acordo com a experiência passada, é provável (ou seja, mais provável que sim do que não) que haverá algumas reclamações dentro das garantias.

 

Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação O evento que gera a obrigação é a venda do produto com a garantia, o que origem a uma obrigação legal.

 

Saída de recursos envolvendo benecios futuros na liquidação Provável para as garantias como um todo (ver item 24).

 

Conclusão – A provisão é reconhecida pela melhor estimativa dos custos para consertos de produtos com garantia vendidos antes da data do balanço (ver itens 14 e 24).

 

Exemplo 2A Terreno contaminado é praticamente certo que a legislação será aprovada

 

Uma entidade do setor de petróleo causa contaminação, mas efetua a limpeza apenas quando é requerida a fa-la nos termos da legislação de um país em particular no qual ela opera. O país no qual ela opera não possui legislação requerendo a limpeza, e a entidade vem contaminando o terreno nesse país há diversos anos. Em 31 de dezembro de 20X0 é praticamente certo que um projeto de lei requerendo a limpeza do terreno já contaminado será aprovado rapidamente após o final do ano.

 

Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação O evento que gera a obrigação é a contaminação do terreno, pois é  praticamente certo que a legislação requeira a limpeza.

 

Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação Provável.

 

Conclusão Uma provisão é reconhecida pela melhor estimativa dos custos de limpeza (ver itens

14 e 22).

 

Exemplo 2B Terreno contaminado e obrigação não formalizada

 

Uma entidade do setor de petróleo causa contaminação e opera em um país onde não há legislação ambiental. Entretanto, a entidade possui uma política ambiental amplamente divulgada, na qual ela assume a limpeza de toda a contaminação que causa. A entidade tem um histórico de honrar essa política publicada.

 

Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação O evento que gera a


 

obrigação é a contaminação do terreno, que dá origem a uma obrigação não formalizada, pois a conduta da entidade criou uma expectativa válida na parte afetada pela contaminação de que a entidade irá limpar a contaminação.

 

Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação Provável.

 

Conclusão Uma provisão é reconhecida pela melhor estimativa dos custos de limpeza (ver itens

10 – a definição de obrigação não formalizada –, 14 e 17).

 

Exemplo 3 Atividade de extração de petróleo

 

Uma entidade opera em uma atividade de extrão de petróleo na qual seu contrato de licença prevê a remoção da perfuratriz petrolífera ao final da produção e a restauração do solo oceânico. Noventa por cento dos custos eventuais são relativos à remoção da perfuratriz petrolífera e a restauração dos danos causados pela sua construção, e dez por cento advêm da extração do petróleo. Na data do balanço, a perfuratriz foi construída, mas o petróleo não está sendo extraído.

 

Obrigação  presente como resultado de evento  passado que gera obrigação  –  A construçãda perfuratriz petrolífera cria uma obrigação legal nos termos da licença para remoção da perfuratriz e restauração do solo oceânico e, portanto, esse é o evento que gera a obrigação. Na data do balanço, entretanto, não há obrigação de corrigir o dano que será causado pela extração do petróleo.

 

Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação Provável.

 

Conclusão: Uma provisão é reconhecida pela melhor estimativa de noventa por cento dos custos eventuais que se relacionam com a perfuratriz petrolífera e a restauração dos danos causados pela sua construção (ver item 14). Esses custos são incluídos como parte dos custos da perfuratriz petrolífera. Os dez por cento de custos que são originados a partir da extração do petróleo são reconhecidos como passivo quando o petróleo é extraído.

 

Exemplo 4 Política de reembolso

 

Uma loja de varejo tem a política de reembolsar compras de clientes insatisfeitos, mesmo que não haja obrigação legal para isso. Sua política de efetuar reembolso é amplamente conhecida.

 

Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação O evento que gera a obrigação é a venda do produto, que origem à obrigação não formalizada porque a conduta da loja criou uma expectativa válida nos seus clientes de que a loja irá reembolsar as compras.

 

Saída de recu